Elas Digitais: sororidade na pandemia

Elas Digitais: sororidade na pandemia

Por Caroline Reis Vieira Santos Rauta e Daniela Sbizera Justo

O isolamento social provocado pela pandemia da COVID-19 nos obrigou, da noite para o dia, a repensar toda nossa rotina, inclusive de trabalho. Para o projeto Elas Digitais não foi diferente: com as atividades presenciais suspensas, houve a necessidade de repensar nossos planos e ações. 

Em meio a tantas novas demandas, há também a demanda por produtividade e muitos anseios acabam surgindo. E com a necessidades de adaptação, não sobra muito tempo para reflexão. Foi pensando na necessidade de refletir sobre o tema e de compartilhar experiências que o projeto Elas Digitais propôs uma roda de conversa com suas integrantes. O tema? Sororidade na Pandemia. 

Mas, o que é “sororidade”? O termo vem do latim, “soror”, que significa irmã, e na atualidade tem sido usado para indicar a união entre as mulheres (GALILEU, 2020). 

A conversa, que durou cerca de uma hora e meia e foi realizada por meio de webconferência via plataforma Meet, do Google, teve como público alvo alunas dos cursos do eixo tecnológico de Informática do câmpus Gaspar do Instituto Federal de Santa Catarina. Esta forma de encontro foi uma novidade, já que o grupo costumava se reunir presencialmente uma vez por mês no horário de intervalo do turno noturno das aulas para um café e trocas de ideias sobre as iniciativas do projeto. O tema também foi bastante diferente do que se vinha tratando, a começar pelo termo “sororidade”, nunca visto por boa parte das participantes. Também, ao invés de falar de ações do projeto, o foco foi dividir um pouco de como estavam sendo as experiências de lidar com a pandemia, sendo mulheres, trabalhadoras, estudantes, mães e correponsáveis pelas atividades domésticas. 

Em meio a um turbilhão de postagens e notícias sobre como gerir seu tempo na quarentena, como aumentar sua produtividade e como investir em novos hobbies, todas as integrantes do projeto tiveram a oportunidade de falar um pouco sobre as dificuldades que estão enfrentando e falar sobre o que pode ser tirado como oportunidade e aprendizado. 

A troca de experiências incluiu um roteiro básico de perguntas norteadoras, que se baseou nas perguntas: 

- Qual é o autocuidado que você teve consigo mesma nesta quarentena? 

Afinal, só conseguimos ter boa produtividade em vários aspectos
se estamos nos sentindo bem. 


- Quais são as suas maiores dificuldades neste momento? 

Falar sobre o que estamos enfrentando nos ajuda a entender nossas
questões e como podemos agir em face a elas. 


- O que você aprendeu de novo? 

Já que em tempos de dificuldade desenvolvemos alternativas
para contornar os obstáculos, essas podem representar uma inovação
que veio para ficar. 


- Qual vai ser a primeira coisa que você vai fazer quando
acabar o isolamento social? 


Ter em perspectiva que este momento vai passar e que vamos poder
nos rever pessoalmente nos ajuda a lidar com a ansiedade
de ficarmos isoladas. 

O ponto alto da conversa foi a possibilidade das participantes enxergarem não estavam sozinhas, que muitas das suas dificuldades eram compartilhadas com as demais. Essa sensação de estar em rede, e rede de apoio, traz conforto para quem acha que é a única pessoa a ter dificuldades em um mundo onde todos estão, aparentemente, fazendo as horas em isolamento renderem o máximo possível. 

São nestes momentos de maior vulnerabilidade que a sororidade mais precisa entrar em ação. Discutir projetos e comemorar resultados é ótimo. Mas antes disso, precisamos discutir o que estamos sentindo e como estamos lidando com isso. Conversar com quem passa pela experiência e ocupa um papel semelhante ao nosso faz com que haja uma compreensão mútua maior. 

As integrantes do projeto avaliaram através de relatos, durante a própria reunião e em comentários no grupo de mensagens do projeto, a iniciativa como sendo muito positiva. Afinal, para cuidar de outra pessoa, para poder trabalhar, e para ter boa produtividade é necessário estar bem em todos os sentidos (SANTOS, 2020). 

Referências: 

ELISAMA SANTOS. Por que gritamos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2020. 

MARASCIULO, Marília. O que é sororidade? Entenda a origem e o significado do termo. Revista Galileu. Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: <//revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2020/03/o-que-e-sororidade-entenda-origem-e-o- significado-do-termo.html>. Acesso em: 2 jun. 2020. 

Como citar este artigo:

Rauta, C. R. V. S.; Justo, D. S. Elas Digitais: sororidade na pandemia. SBC Horizontes. ISSN: 2175-9235. Disponível em: http://horizontes.sbc.org.br/index.php/2020/06/22/elas-digitais-sororidade/

Sobre as autoras:

Caroline Reis Vieira Santos Rauta

Licenciada em Letras Português, Mestre e Doutora em Estudos da Tradução. É docente da EBTT e desde 2015 atua em cursos técnico e superior em tecnologia do eixo da informática, onde pôde perceber a necessidade de incentivo da participação feminina na área da Computação. É coordenadora do Programa Elas Digitais em conjunto com a professora Daniela Sbizera Justo. Seus interesses e projetos de pesquisa incluem processamento de linguagem natural, tecnologia e educação.

http://lattes.cnpq.br/3519380803739395

Daniela Sbizera Justo

Doutora em Engenharia Elétrica, mestre e graduada em Ciências da Computação. É docente EBTT na área de Informática e atualmente é chefe do Departamento de Ensino, Pesquisa e Extensão no Câmpus Gaspar do Instituto Federal de Santa Catarina. Em parceria com a professora Caroline Reis Vieira Santos Rauta, coordena o Programa Elas Digitais no qual apoia-se e incentiva-se a permanência e a participação de meninas e mulheres na área de Tecnologia.

http://lattes.cnpq.br/7076543556365800

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