Projeto Meninas na Robótica

Projeto Meninas na Robótica

 

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Alunas: Anne Caroline de Medeiros, Caroline Aguiar, Ellen de Oliveira, Jullie Aguiar, Marina Meireles, Noa Oliveira Rafael, Victoria Graziella Cruzado
Professores: Rafaelli Coutinho, Fabrício Lopes e Silva, Cristiano de Souza de Carvalho, Diego Nunes Brandão, Helga Dolorico Balbi, Kele Teixeira Belloze, Laura Silva de Assis, Thiago de Moura Prego

Histórico e atuação

O projeto Meninas na Robótica surgiu em 2016 com o objetivo de promover o interesse de meninas pelas áreas tecnológicas por meio de palestras sobre exemplos de protagonismo feminino oferecidas por alunas membros da Bodetronic, equipe de robótica do Cefet/RJ, campus Nova Iguaçu.

Em 2019, o escopo do projeto foi ampliado após a aprovação na Chamada CNPq/MCTIC nº 31/2018 – “Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação”. Essa aprovação possibilitou o desenvolvimento das primeiras oficinas focadas no ensino de programação e eletrônica em Escolas Públicas de Educação Básica da Baixada Fluminense no Rio de Janeiro. Para implementar essas oficinas, foram planejados miniprojetos inspirados na robótica educacional, utilizando recursos de baixo custo e fácil aprendizado, como a placa de prototipagem eletrônica Arduino© e materiais recicláveis (BASTOS et al. 2020).

A metodologia das oficinas envolveu a criação de um miniprojeto completo em cada oficina. No decorrer das oficinas, os participantes são introduzidos de forma incremental aos conceitos básicos de eletrônica e programação. Ao final de cada oficina, os alunos concluem um miniprojeto funcional, integrando os conhecimentos adquiridos de maneira prática e envolvente.

Em 2020 e 2021, as atividades nas escolas foram suspensas devido à pandemia de COVID-19, uma situação que trouxe muitos desafios. Durante esse período difícil, o projeto adaptou-se para focar em atividades remotas com as alunas do Cefet/RJ, com o objetivo de aprimorar o material utilizado nas oficinas. No entanto, essa fase foi marcada por dificuldades que resultaram na redução da equipe envolvida.

Em 2022, o retorno das atividades presenciais nas escolas trouxe uma nova esperança, graças à aprovação no Edital FAPERJ E_09/2021 – “Programa Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação”. Esse incentivo foi fundamental para promover uma revisão abrangente e atualização dos materiais didáticos do projeto, incluindo apostilas e apresentações. Assim, o projeto pôde retomar suas atividades com renovado vigor, continuando a inspirar e capacitar meninas e mulheres nas ciências exatas e da terra, engenharias e computação. Mais recentemente, em 2024, o projeto foi novamente contemplado no Edital FAPERJ n.º 02/2024.

Pessoas envolvidas

O projeto conta com uma equipe executora, composta atualmente pelos professores coordenadores Rafaelli Coutinho e Fabrício Lopes e Silva, pelos professores colaboradores Cristiano de Souza de Carvalho, Diego Nunes Brandão, Helga Dolorico Babi, Kele Teixeira Belloze, Laura Silva de Assis, Thiago de Moura Prego e Ubiratam Carvalho de Paula Junior, e por alunas da graduação em Eng. de Controle e Automação e Eng. Mecânica e do mestrado em Ciência da Computação do Cefet/RJ.

Além da equipe principal, os programas das duas agências de fomento que apoiaram o projeto permitiram a formação de equipes locais com bolsistas nas escolas participantes. A equipe local em cada escola é formada por uma professora com formação acadêmica na área de Ciências e/ou Matemática e, cerca de três alunas da educação básica a partir do 6º ano do ensino fundamental. Em ambas as edições, o projeto beneficiou cinco escolas, proporcionando uma experiência enriquecedora tanto para as bolsistas quanto para demais alunas participantes. Essa estrutura colaborativa foi fundamental para alcançar os objetivos do projeto, promovendo a inclusão e o engajamento de meninas e mulheres nas ciências exatas, engenharias e computação.

Público atingido

O projeto visa empoderar e inspirar alunas e professoras de escolas da rede pública do ensino básico localizadas em áreas de alta vulnerabilidade socioeconômica da Baixada Fluminense no Rio de Janeiro, focando especificamente do sexto ao nono ano do ensino fundamental e no ensino médio. Contudo, reconhecendo a importância da inclusão e da equidade de gênero, as oficinas também são abertas a todos os alunos das escolas participantes, incluindo os meninos. Essa abordagem inclusiva visa não apenas fortalecer o interesse das meninas nas ciências exatas, engenharias e computação, mas também promover um ambiente de aprendizado colaborativo e diverso, para que todos os estudantes das escolas envolvidas tenham a oportunidade de descobrir e desenvolver suas habilidades e interesses, contribuindo para uma mudança cultural mais ampla em direção à igualdade de gênero nas áreas das Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

Até o momento, o projeto já realizou oficinas em sete escolas da rede pública da Baixada Fluminense (Figura 1), localizadas especificamente nas cidades de Belford Roxo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, e na própria instituição, o Cefet/RJ – campus Nova Iguaçu, que atende ao ensino médio integrado a cursos técnicos profissionalizantes.

Atividades realizadas nos últimos anos

A atividade central do projeto consiste na realização de oficinas teórico-práticas com o desenvolvimento de miniprojetos (Figura 2) sobre robótica e programação, todas coordenadas por mulheres, que abrangem diversos temas das Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação de forma contextualizada e lúdica.

No entanto, além de fornecer conhecimento técnico sobre assuntos não abordados nos currículos escolares, as atividades do projeto promovem reflexões e mensagens sobre o empoderamento feminino na ciência, incentivando assim a participação das meninas nessas áreas durante a realização das oficinas.

Todas as atividades foram planejadas para serem dinâmicas e sustentáveis de maneira a não apenas ensinar habilidades valiosas, mas também criar espaços de empoderamento e inclusão, inspirando uma nova geração de meninas a perseguirem carreiras nas áreas de STEM. A seguir, podemos ver algumas das atividades desenvolvidas pelo projeto:

  • Elaboração dos materiais didáticos: Criação de apostilas, slides, videoaulas para as capacitações e oficinas (Figura 3).
  • Capacitações das alunas e professores bolsistas: Treinamento intensivo para preparar as bolsistas para conduzir e disseminar os conhecimentos (Figura 4).
  • Execução de oficinas: Realização das oficinas nas escolas, integrando teoria e prática de forma envolvente (Figura 5).
  • Análises das atividades desenvolvidas: Avaliação contínua das oficinas para aprimorar as metodologias e materiais.
  • Realização de eventos: Organização de visitas, palestras e competições (Figura 6) para estimular ainda mais o interesse e o envolvimento dos alunos.
  • Divulgação das atividades do projeto: Promoção das atividades e resultados do projeto para ampliar seu alcance e impacto (Figura 7).

Resultados alcançados

As oficinas do projeto já atenderam mais de 300 alunos (50 em 2019/2020, 230 em 2022/2023, mais de 30 até o momento em 2024), sendo cerca de 65% do sexo feminino. Além das sete escolas já atendidas, o projeto também visitou mais cinco outras escolas no último ano, levando mensagens de incentivos para meninas e mulheres e demonstrações dos miniprojetos desenvolvidos. As alunas bolsistas nas escolas participantes afirmam que é importante que mais meninas façam parte da área das ciências e que seus familiares e amigos se sentem orgulhosos de suas participações no projeto. Elas compartilharam um pouco de suas expectativas ao participar do projeto via um formulário e a síntese das respostas recebidas podem ser vistas na nuvem de palavra ao lado (Figura 8).

Durante as atividades realizadas, foram observados diversos comentários de interesse em seguir uma carreira profissional nas áreas tecnológicas. E isso já vem se concretizado. Em 2024, tivemos a aprovação da aluna Raphaele Rosa Rodrigues, bolsista na Escola Municipal de Jaceruba, em cursos técnicos (automação industrial e eletrotécnica) de instituições federais de educação no estado do Rio de Janeiro.

Outro ponto que vale destacar é a potencialização da divulgação do projeto após a aprovação do projeto pelas duas agências de fomento (desde 2019). Foi criada uma identidade visual (Figura 9), um site (https://eic.cefet-rj.br/meninasnarobotica) e, mais recentemente em 2022, um perfil no Instagram (@meninasnarobotica_cefetrj/) para o projeto. Além disso, o projeto se manteve ativo no meio científico com publicações em congressos e revista (FERREIRA et al. 2019) (BASTOS et al. 2020) (DE MEDEIROS et al. 2024).

Referências

BASTOS, A. C., SOUZA, D., SILVA, D., da Silva, I., ALBUQUERQUE, D., Carvalho, C., PREGO, T., FERREIRA, J. C., LOPES E SILVA, F., and COUTINHO, R. (2020). Despertar el interés por el conocimiento tecnológico utilizando la robótica: una experiencia en educación básica para la igualdad de género. Revista Latinoamericana de Tecnología Educativa – RELATEC, 19(2):135–153. doi.org/10.17398/1695-288X.19.2.135

DE MEDEIROS, A., AMORIM, A., CRUZADO, V., DA SILVA, I., VIANA, A., DE AGUIAR, J., BRANDAO, D., SILVA, F. L., COUTINHO, R. (2024). Promoção de espaços voltados ao incentivo e formação de meninas e mulheres na área tecnológica: Um relato de experiência das alunas atuantes. Women in Information Technology.

FERREIRA, J. C. V.; SILVA, F. L.; COUTINHO, R.; CARVALHO, C. S.; PREGO, T. M.; BASTOS, A. C. O.; MELO, A. S.; SOUZA, D. D. L. (2019). Meninas na Robótica: Gênero e Engenharias nas Escolas. VIII Congresso Internacional Interdisciplinar em Sociais e Humanidades.

 

Sobre as(os) autoras(es):

Como citar este artigo:

MEDEIROS, A. C. et al. Projeto Meninas na Robótica. SBC Horizontes, set. 2026. ISSN 2175-9235. Disponível em: <https://horizontes.sbc.org.br/index.php/2026/09/projeto-meninas-na-robotica/>. Acesso em: DD mês. AAAA.

Nota de rodapé da editora1:

Este texto foi recebido pela chamada aos projetos parceiros e seu conteúdo é de responsabilidade dos autores.

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