Projeto vencedor do Selo de Inovação SBC 2026 usa IA para apoiar a detecção de pólipos em colonoscopias

Projeto vencedor do Selo de Inovação SBC 2026 usa IA para apoiar a detecção de pólipos em colonoscopias

A inteligência artificial já faz parte de diferentes aplicações na área da saúde, e um projeto desenvolvido em conjunto por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) busca ampliar essas possibilidades. Vencedor do Selo de Inovação SBC 2026, o “Deep Learning aplicado na Detecção de Anomalias em Vídeos no Apoio à Tomada de Decisão” desenvolve um protótipo capaz de processar, em tempo real, as imagens de exames de colonoscopia e demarcar possíveis pólipos na tela, oferecendo ao médico especialista uma ferramenta de apoio durante o procedimento.

A solução combina inteligência artificial e desenvolvimento de hardware e tem como perspectiva chegar a um dispositivo aplicável em ambiente clínico. Atualmente, o projeto está em fase de validação clínica e, entre os próximos passos, estão os processos de certificação junto à Anvisa e ao Inmetro. A pesquisa também já gerou 16 produções científicas, entre trabalhos de conclusão de curso e artigos publicados em congressos e periódicos.

A equipe do projeto é formada pelos pesquisadores da UFG e da UTFPR: Allan dos Santos, Alexandre Naves, André Castro, Caio Oliveira, Carlos Eduardo Gonçalves de Oliveira, Cleiver B. da Silva, Gustavo Novack Viana Lima, Lucas Lima, Rian Santos, Ricardo Augusto Pereira Franco, Sandro Luis de Araujo Junior, Michel Hanzen Scheeren, Guilherme Yudi Shibuya, Luiz Felipe Torminn Rocha Lima e Juliana Wanderley e Pedro Luiz Paula Filho.

Nesta entrevista, o professor e pesquisador Ricardo Franco, representante da equipe, fala sobre o funcionamento da tecnologia, os diferenciais da solução, os desafios para sua aplicação clínica e o que o reconhecimento do Selo de Inovação SBC representa para o desenvolvimento do projeto. Confira!

SBC – Explique brevemente sobre o projeto, o que propõem e como funciona.

Ricardo Franco O projeto tem como foco o desenvolvimento de uma Inteligência Artificial voltada a auxiliar o médico especialista na detecção de pólipos em tempo real durante exames de colonoscopia. A IA contribui para a demarcação de pólipos — anomalias que podem ser precursoras do câncer colorretal — indicando ao especialista o local onde a lesão foi identificada. O objetivo principal é apoiar o especialista para que nenhum pólipo passe despercebido durante o exame.

Contribuir para a detecção de pólipos é uma forma de tornar mais assertivo o diagnóstico do câncer colorretal, que é o segundo tipo de câncer com maior taxa de mortalidade no mundo.
O projeto consiste em um protótipo conectado entre o colonoscópio e o monitor que exibe o vídeo em tempo real do exame. O vídeo passa pelo protótipo, é processado pela IA e, em seguida, é exibido já com a demarcação realizada pelo sistema.

SBC – O que motivou vocês a inscreverem o projeto no Selo de Inovação SBC 2026?

RF – O projeto possui caráter inovador tanto do ponto de vista de software quanto de desenvolvimento em hardware. Vimos a participação no concurso como uma oportunidade de ter o projeto avaliado por profissionais diretamente ligados à área de inovação da SBC, obtendo assim um retorno qualificado sobre o posicionamento inovador da nossa proposta.

SBC – O que representa para vocês ter o projeto reconhecido pela SBC como vencedor do Selo de Inovação, e vencer em primeiro lugar?

RF – É um sentimento de alegria e satisfação. Ao longo do desenvolvimento do projeto, firmamos uma parceria com uma empresa do mercado, estabelecemos metas ambiciosas e, principalmente, envolvemos alunos de graduação, mestrado e doutorado na construção de soluções práticas e viáveis. Assim, o reconhecimento em primeiro lugar demonstra que todo o trabalho realizado está seguindo um caminho viável, reconhecido e incentivado.

SBC – Como foi a experiência de apresentar o projeto durante o CSBC 2026? Houve algum feedback da banca ou do público que foi especialmente marcante?

RF – Foi uma experiência gratificante. Apresentar o desenvolvimento do projeto no pitch nos permitiu reavaliar sua magnitude. Selecionar os pontos de maior impacto que o projeto agrega é uma tarefa complexa, porém importante para sua evolução futura. Recebemos contribuições relevantes da banca, que estão sendo analisadas quanto à abordagem da solução. Dessa forma, o feedback tanto da banca quanto do público foi de grande valia para nós.

SBC – Qual é o principal diferencial ou aspecto inovador do projeto que vocês acreditam ter contribuído para a conquista do prêmio?

RF – O projeto busca chegar a uma solução final na forma de um protótipo destinado à utilização em ambiente clínico. Essa solução visa atender a um problema relevante em nível mundial por meio de uma tecnologia nacional, contribuindo também para a soberania tecnológica brasileira. Além disso, o protótipo tem potencial para auxiliar no exame de milhões de pessoas, no Brasil e no mundo, contribuindo para a redução da mortalidade por câncer de intestino e para a melhoria da qualidade de vida por meio da detecção precoce. Outro ponto de destaque é a produção científica gerada pelo projeto, que já totaliza 16 produções científicas, entre Trabalhos de Conclusão de Curso e artigos científicos em congressos e periódicos.

SBC – Em que estágio o projeto está atualmente e quais são os próximos passos para seu desenvolvimento ou aplicação?

RF – O projeto encontra-se atualmente em fase de validação clínica do protótipo. As próximas etapas envolvem a obtenção das certificações do dispositivo junto à ANVISA e ao INMETRO, antes de sua entrada em produção.

SBC – De que forma o reconhecimento do Selo pode contribuir para ampliar o alcance, a implementação ou as oportunidades relacionadas ao projeto?

RF – A chancela do Selo contribui muito para reforçar a validação científica do nosso projeto, o que ajuda também a dar mais visibilidade e credibilidade à iniciativa. O reconhecimento também pode aproximar o projeto de novos parceiros e oportunidades, contribuindo para sua implementação e expansão no futuro.

SBC – Vocês já conheciam o Selo de Inovação SBC? Como ficaram sabendo da iniciativa e por que decidiram participar?

RF – Sim, já conhecíamos o Selo de Inovação da SBC. Ficamos sabendo da iniciativa pela lista de e-mails da SBC e decidimos participar porque acreditamos no potencial de impacto social do projeto e na sua capacidade de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. Além disso, é um projeto com uma base científica bem definida e validada, o que também nos motivou a participar.

SBC – Que conselho dariam a estudantes e pesquisadores que tenham projetos inovadores e estejam pensando em participar das próximas edições?

RF – A participação no concurso agrega tanto à formação humana quanto científica de estudantes e pesquisadores. É importante ter em mente que, na academia, devemos desenvolver soluções com impacto positivo na sociedade, e não algo puramente teórico ou intangível. A academia está repleta de boas ideias que, quando aliadas ao objetivo de desenvolver soluções práticas, têm muito a contribuir para o avanço da nossa sociedade.

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