Brasil conquista quatro medalhas na IOI 2026 e celebra quarta medalha de ouro da história
Equipe brasileira conquista ouro, prata e dois bronzes na Olimpíada Internacional de Informática, realizada em Tashkent, no Uzbequistão.
A delegação brasileira na 38ª Olimpíada Internacional de Informática (IOI 2026) conquistou um resultado de destaque na competição realizada em Tashkent, no Uzbequistão. Os quatro competidores receberam medalhas: uma de ouro, uma de prata e duas de bronze. A delegação brasileira teve como líderes os professores Ricardo Anido, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e André Amaral de Sousa, do Colégio Etapa.
O resultado ganha ainda mais relevância porque a medalha de ouro conquistada em 2026 é a quarta medalha de ouro do Brasil na história da IOI, desde a primeira participação do país, em 1999. Ao longo desse período, o Brasil acumulou 68 medalhas: quatro de ouro, 21 de prata e 43 de bronze.
Além da conquista individual dos estudantes, o desempenho colocou o Brasil em posição de destaque no quadro de medalhas da edição de 2026, à frente de países com forte tradição na competição.
Uma conquista que coloca o Brasil entre os destaques
O resultado brasileiro chama a atenção não apenas pela quantidade de medalhas, mas pela regularidade do desempenho da equipe. Todos os quatro integrantes da delegação brasileira foram premiados.
A equipe selecionada pela Olimpíada Brasileira de Informática (OBI) foi formada por:
- Pedro Suyama Leston Rey, do Colégio Farias Brito, de Fortaleza (CE) — medalha de ouro;
- João Paulo Campos de Oliveira, do Colégio Método, de Belo Horizonte (MG) — medalha de prata;
- Maria Clara Fontes Silva, do COESI, de Aracaju (SE) — medalha de bronze;
- Enzo Ivamoto Hirota, do Colégio Etapa, de São Paulo (SP) — medalha de bronze.

Para Pedro, o resultado faz parte de uma trajetória com quatro premiações na IOI: bronze em 2023 e 2024, prata em 2025 e, agora, ouro em 2026. Maria Clara também competiu pelo terceiro ano consecutivo, com bronze em 2025.
Muitos deles vêm se preparando há anos. O Pedro Rey, que ganhou medalha de ouro este ano, compete na OBI desde 2019, quando estava no sexto ano do Ensino Fundamental, e treinou todos esses anos. É muito trabalho dos alunos e dos professores das escolas – Prof. Ricardo Anido.
O desempenho de 2026 também representa um resultado expressivo quando comparado ao de outras delegações tradicionalmente fortes na IOI. Com uma medalha de ouro, uma de prata e duas de bronze, o Brasil ficou à frente, no quadro de medalhas da edição, de países como Canadá, Reino Unido, Alemanha e França.
Mais do que a posição no quadro, o resultado evidencia a consistência da formação brasileira em programação competitiva. A conquista de medalhas pelos quatro integrantes demonstra a capacidade da equipe de competir em alto nível em uma disputa que reúne centenas dos estudantes mais talentosos do mundo na área de informática.
O que é a IOI?
A Olimpíada Internacional de Informática (International Olympiad in Informatics – IOI) é uma das cinco olimpíadas internacionais de ciência realizadas anualmente e é considerada uma das mais importantes competições mundiais voltadas à informática para estudantes do Ensino Médio.
A competição reúne jovens de diferentes países para enfrentar problemas que exigem competências como análise e resolução de problemas, desenvolvimento de algoritmos, estruturas de dados, programação e testes de soluções.
Além de identificar, estimular e reconhecer jovens talentos em informática, a IOI tem entre seus objetivos promover o intercâmbio e as relações entre estudantes, pesquisadores e educadores de diferentes países, além de incentivar a realização de competições de informática em escolas de ensino médio.
Cada país participante pode selecionar uma delegação de até quatro competidores, acompanhada por um líder e um vice-líder de delegação. Embora representem seus países, os estudantes competem individualmente, e as medalhas são atribuídas de acordo com o desempenho de cada participante.
IOI 2026 em números
A edição de 2026 foi realizada em Tashkent, no Uzbequistão, de 9 a 16 de agosto de 2026. A competição reuniu 375 competidores de 92 países.
A realização da IOI envolve não apenas os dois dias de provas, mas também atividades de preparação, intercâmbio e integração entre os participantes. Antes da competição oficial, os estudantes participam de uma competição de prática de duas horas, destinada principalmente a familiarizá-los com o sistema de avaliação utilizado durante as provas.
Como funciona a competição
A competição oficial ocorre em dois dias. Em cada dia, os participantes recebem três problemas para resolver em cinco horas. Ao final, portanto, cada competidor enfrenta seis tarefas algorítmicas.
As tarefas são divididas em subtarefas, cada uma correspondendo a uma parcela da pontuação total. Dependendo do problema, uma subtarefa pode exigir a implementação de um programa ou a produção de arquivos de saída (output-only). Nas tarefas de programação, existem limites de tempo e memória para a execução das soluções.
As soluções são submetidas pelo sistema oficial de avaliação e estão sujeitas a limites de tempo, memória e número de submissões. Durante a prova, cada tarefa pode receber uma nova submissão no máximo uma vez por minuto, e há um limite de 50 submissões por tarefa.
As provas foram em geral muito boas, talvez um pouco mais difíceis do que poderiam ter sido, mas a escolha dos problemas para a prova é sempre uma tarefa complexa, e é difícil avaliar de antemão como os competidores se sairão considerando todos os problemas – Prof. Ricardo Anido.
Pontuação parcial: estratégia também conta
Um dos aspectos que tornam a IOI particularmente interessante é que não é necessário resolver completamente um problema para obter pontos. Cada tarefa possui subtarefas com diferentes parcelas da pontuação. Uma solução pode, portanto, resolver apenas parte do problema e ainda assim conquistar uma pontuação significativa. Para cada subtarefa, a pontuação final é o melhor resultado obtido entre todas as submissões do participante.
A pontuação máxima de cada tarefa é de 100 pontos. Isso faz com que a competição envolva também uma dimensão estratégica. Os competidores precisam decidir quais partes dos problemas conseguem resolver, quanto tempo dedicar a cada tarefa, quando melhorar uma solução existente e quando submetê-la ao sistema de avaliação.
Em outras palavras, a IOI não é simplesmente uma competição em que vence quem consegue “resolver mais problemas”. A capacidade de identificar rapidamente oportunidades de pontuação, desenvolver soluções eficientes e administrar o tempo de prova é fundamental para alcançar uma pontuação elevada.
Na IOI, estratégia também conta
Resolver parcialmente um problema pode render pontos. Saber escolher quais subtarefas atacar, quando submeter uma solução e quanto tempo dedicar a cada problema faz parte da competição.
O sistema de avaliação fornece aos participantes informações sobre suas submissões. Entre os possíveis resultados estão saída correta, saída incorreta ou parcialmente correta, tempo excedido, execução interrompida por problemas de memória, falha de execução e violação de protocolo.
Regras durante a prova
Apesar de representarem seus países, os competidores trabalham individualmente durante as provas. Não é permitida comunicação com outras pessoas, exceto com a equipe de suporte e membros autorizados dos comitês responsáveis pela competição. Também é proibido acessar outras máquinas ou a Internet para finalidades que não estejam relacionadas ao uso normal do sistema oficial da competição.
Uma regra particularmente importante é a chamada quarentena. Para preservar o sigilo dos problemas, é proibida a comunicação direta ou indireta entre competidores e líderes das delegações durante o período definido pelas regras. A violação da quarentena pode resultar na desclassificação do competidor e, em determinadas circunstâncias, de toda a delegação.
Na sala de competição, os organizadores fornecem papel, material para escrita, formulários, água e lanches. Alguns itens adicionais podem ser autorizados previamente, desde que não possam transmitir ou armazenar dados. Entre os itens proibidos estão computadores, celulares, relógios, materiais impressos, mídias de armazenamento, fones de ouvido e outros dispositivos eletrônicos.
Quão difícil é ganhar uma medalha?
Cada participante pode alcançar no máximo 600 pontos, correspondentes aos 100 pontos disponíveis em cada uma das seis tarefas.
Na edição de 2026, foram distribuídas:
- 🥇 31 medalhas de ouro, para participantes com 361,12 pontos ou mais;
- 🥈 62 medalhas de prata, para participantes com 303,28 pontos ou mais;
- 🥉 94 medalhas de bronze, para participantes com 228,80 pontos ou mais;
- 43 menções honrosas.
Ao todo, 187 dos 375 competidores receberam medalhas.
A distribuição das medalhas evidencia o elevado nível de competitividade da competição: pouco menos da metade dos participantes recebeu uma medalha, e apenas 31 estudantes alcançaram a faixa necessária ao ouro. Neste sentido, o prof. Ricardo complementa o seguinte:
Ganhar uma medalha na IOI é muito difícil, assim como nas olimpíadas científicas mais renomadas, como matemática, física e química. Pode parecer ‘fácil’, porque são muitos competidores, mas a realidade é que são estudantes muito qualificados. Assim, quando os quatro competidores de um país recebem medalhas, isso mostra que a preparação dos alunos para a competição está sendo bem feita.
A importância da preparação
O desempenho em uma competição desse nível é resultado de um processo que começa muito antes dos dias de prova. A seleção dos estudantes é realizada no Brasil por meio da Olimpíada Brasileira de Informática, e os melhores competidores passam por um processo de preparação voltado ao desenvolvimento de técnicas de resolução de problemas, algoritmos, estruturas de dados e programação.
A OBI é a principal porta para jovens que gostam de programação de computadores, gostam de aprender e gostam de competir. Mas a OBI ainda não é tão conhecida, talvez por não existir muitas escolas com professores de computação. A SBC tem se empenhado muito na inclusão de computação nos currículos oficiais das escolas no ensino fundamental e médio – Prof. Ricardo Anido.
Na IOI, entretanto, o conhecimento técnico precisa ser combinado com capacidade de decisão. Durante as cinco horas de cada prova, os competidores precisam interpretar problemas complexos, escolher abordagens algorítmicas, implementar suas ideias, testar os programas e decidir como distribuir seu tempo entre as seis tarefas.
É justamente essa combinação entre conhecimento, criatividade, velocidade de raciocínio, programação e estratégia que torna a IOI uma das competições mais desafiadoras para estudantes de informática.
Próximas edições
As próximas edições já têm sede definida. A IOI 2027 será realizada na Alemanha, seguida pelo Japão, em 2028, Bulgária, em 2029, e em Macau, em 2030. A sequência de sedes reforça o caráter internacional da IOI e mantém a competição como um importante ponto de encontro para jovens talentos, professores e especialistas em informática de diferentes partes do mundo.
Como chegar à IOI? Para quem pretende seguir o caminho dos medalhistas brasileiros, a recomendação de Ricardo Anido é direta:
Estudar muito e participar de competições online.
Como citar este artigo
RODRIGUES, L. A. Brasil conquista quatro medalhas na IOI 2026 e celebra quarta medalha de ouro da história. SBC Horizontes, agosto 2026. ISSN 2175-9235. Disponível em: https://horizontes.sbc.org.br/?p=12371. Acesso em: DD mês. AAAA.